Drenagem de tórax em Pediatria: considerações para a prática segura

Drenagem de tórax em Pediatria: considerações para a prática segura

A indicação da drenagem torácica em pediatria ocorre para manejo da funcionalidade respiratória da criança quando o processo pleural patológico causa deterioração clínica e respiratória e/ou descompensação hemodinâmica. Adicionalmente, em cirurgias cardíacas e/ou torácicas para monitorar fluídos, sangue e ar na cavidade pleural durante o pós-operatório.

Em pediatria, hipóxia é a principal causa de Parada Cardiorrespiratória (PCR). Assim, os cuidados peri drenagem torácica assumem ainda maior relevância.

A importância do calibre do dreno

O calibre do dreno a ser inserido é uma questão técnica importante, pois essa escolha está relacionada com o peso da criança e com a indicação da terapia. A recomendação geral para escolha do tamanho do dreno depende da indicação e do tipo de fluído a ser drenado. Quanto maior o volume ou a viscosidade, maior o calibre necessário.

Obter uma boa história clínica e revisar os antecedentes cirúrgicos é essencial. Atenção aos anticoagulantes e antiplaquetários. Raio X de tórax ou tomografia, devem ser realizados ou revisados. Avaliar inserção com uso de ultrassom se o aparelho estiver disponível e o médico for treinado.

A obtenção de consentimento livre e esclarecido, sempre que possível, é indicada. Paciente e seus responsáveis, quando bem esclarecidos, podem contribuir para um procedimento mais rápido e seguro e para menor duração do tratamento.

Técnicas utilizadas

Dor é uma queixa comum dos pacientes. Dor à inserção pode ser manejada com sedação e analgesia e com a escolha de drenos menos calibrosos. Sedação com um medicamento de curta duração deve ser considerada. O posicionamento do paciente é importante e ajuda não só à adequada inserção do dreno, como também a mitigar o risco de intercorrências durante o procedimento. A anestesia local ocorre por infiltração de anestésico tópico.

A fixação dos drenos com pontos e com “meso” merece atenção especial dos profissionais de modo a garantir a eficácia do procedimento instituído (drenar ar e/ou líquido) e prevenir a ocorrência de eventos adversos, tais como a retirada acidental do dispositivo de drenagem. 

O dreno pode ser colocado em sucção, em selo d’água ou clampeado. Para pacientes que vão de alta hospitalar com o dreno de tórax há uma variedade de dispositivos portáteis que podem ser utilizados, dependendo do volume de drenagem estimado por dia e do nível de conforto do paciente e do seu cuidador, por exemplo com a válvula de Heimlich.

Dependendo da idade da criança (e, também, da patologia), a pele pode ser bem friável e lesões de pele associadas à presença do dispositivo podem ocorrer. A equipe de saúde deve estar atenta a esta possibilidade e intervir tecnicamente de modo preventivo, pois atualmente existem diversas alternativas para prevenção e tratamento de lesões de pele associadas aos dispositivos médicos.

Após o procedimento, sinais vitais devem ser obtidos, incluindo oximetria de pulso e ausculta pulmonar bilateral. Raio X para confirmar posicionamento e avaliar resolução do pneumotórax ou esvaziamento do derrame pleural.

Cuidados

Importante avaliar se o curativo está limpo e seco para prevenir infecção local e se o dreno está fixo à parede torácica para prevenir remoção acidental do dispositivo e pneumotórax por mal posicionamento do dreno. Pacientes são frequentemente avaliados para enfisema de tórax, pela palpação da pele próxima à inserção do dreno.

Embora rara, dano aos órgãos viscerais ou grandes vasos é uma das mais sérias complicações e pode requerer intervenção cirúrgica de emergência. Adesão aos princípios técnicos e manejo adequado garantem um desfecho centrado no paciente, com segurança e menor tempo de internação e/ou uso do dreno.

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